questione,

adultecer


começamos a ser adultos muito cedo
e prometemos aos nossos filhos que então não seria assim pra eles
os colocamos numa redoma de conforto
pra que eles não sofressem
pra que aproveitassem a infância
a adolescência
e lá se vão eles aproveitando a fase adulta
adulta?
não, acho que ainda não entraram nessa fase

engano nosso
achar que podíamos livrá-los do sofrimento
se a gente afrouxa de um lado
o outro lado vem e aperta

sarita bruta





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amor,

eu tava te conhecendo


chega uma altura da vida que a gente acha que já conheceu todo tipo de gente. mas não. acho que é impossível que isso aconteça.

quando a gente menos espera, se surpreende. eu me surpreendi. não sabia como agir. o que significava todo aquele comportamento? ora extrovertido, ora casulo... como decifrar? e eu que tenho mania de analisar as pessoas, fiquei louca com você.

tão atencioso e tão duro. tão inabalável e inseguro. quem entende?

pensei melhor... talvez eu tenha conhecido uma pessoa exatamente que nem eu (exceto pelos vácuos, que eu jamais conseguiria dar). tô com aquela porta meio entreaberta sem saber quando abro ou quando fecho.

é só medo, sabe? medo de dar merda de novo. acho que ele também tem medo.

se mostra um pouco e recua. se dedica um pouco e se impõe. demonstra sentimento e depois dá risada pra amenizar.

definitivamente não sei lidar comigo na pele dele.

mas o que me acovardou mesmo foram as atitudes não premeditadas, das quais nunca tinha visto ninguém fazer, pelo menos não comigo. uma pessoa nada previsível, nisso nos parecemos também. a angústia vai nas alturas quando não dá pra controlar o outro.

eu queria te conhecer, mas, na primeira peculiaridade mijei nas calças. logo eu que exalto tanto a singularidade das pessoas, dei pra trás lindamente ao ver algo diferente do que estava acostumada.

vesti minha armadura "não posso ser trouxa novamente" e me defendi antes mesmo de ser atacada! obviamente as balas ricochetearam de volta na minha cara.

eu tava te conhecendo mas acabou que eu me conheci. vi de perto uma versão minha frouxa e amargurada que não quero repetir.

e se o diferente não me fizer bem, tudo bem também. mas que eu tenha a decência de dizer não com educação, independente da ignorância de quem vem do outro lado.

sarita bruta





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