amor,

faz tempo que não vejo você


o conheci no momento mais improvável para se apaixonar. recém solteira, com uma enorme vontade e necessidade de ficar sozinha. eu só queria me reencontrar e curtir um momento totalmente livre.

conhecer pessoas novas sem nenhuma pretensão, viver momentos, experiências e no final, voltar pro meu mundo. era só isso que eu queria.

no meio desse caminho instalei o tinder. nunca tinha usado na vida. não tem nada a ver comigo escolher pessoas por foto porque são coisas como modo de andar, falar, se expressar, as ideias e outras coisas que mais me atraem. outro problema é ter que dar like em mais de uma pessoa, logo eu que sou de encarnar em um só.

mas ok. estava tentando ser aberta e experimentar. conheci umas pessoas mas acabei só saindo com um que já conhecia na vida real. não foi bom.

em duas semanas já tinha enchido o saco desse cardápio humano mas eis que um menino meio sério e com papos mais relevantes queria sair comigo num local e horário bem conveniente pra mim. prometi que seria o último. desinstalei o aplicativo antes mesmo de vê-lo.

e pior que foi o último mesmo, emocionalmente falando. não dei nada de início, até porque ele começou a me contar a vida toda dele sem parar quando nos conhecemos. pensei: nossa, que cara pirado, mano. esperava ele respirar um pouco pra tentar fugir daquilo mas, felizmente (ou não), ele segurou o oxigênio o suficiente pra me explicar que só tava nervoso.

nem eu entendo como o cenário mudou tão rápido. inicialmente, nem bateu aquela vontade e, de repente, eu achava a melhor química do mundo. mesmo assim eu não queria me envolver, nem tomar muito do meu tempo com isso.

mas quem disse que eu tinha escolha? sinto como se ele tivesse me invadido. e como se eu gostasse dessa invasão. em pouco tempo, já tava tudo misturado, família, amigos, cachorro, programas,  cobranças, viagens, planos, brigas, confissões internas, favores, defeitos desmascarados...

uma aventura intensa que não pedi, que não estava preparada pra viver mas que nunca poderia recusar porque eu estava completamente apaixonada por ele. mas essas coisas são de momento e passam.

passam pra quem? e por que iria passar? só porque foi intenso e rápido, não significa que não exista um sentimento verdadeiro. pra mim não foi só paixão, físico ou qualquer coisa que chamem. foi muito mais e ainda dura.

ele não é nenhum suprassumo mas eu simplesmente gostei do pacote. quero levar pra casa. e daí que outras pessoas são mais bonitas, mais isso ou aquilo, se foi dele que eu gostei meu deus do céu.

e quando acabou, me forcei a parar de gostar. mas não deu muito certo, sabe? resolvi parar de lutar contra isso. hoje apenas aceito o sentimento e espero que um dia passe. sendo assim, finalmente consegui viver minha liberdade e me reencontrar.

ao som de: gaúcha - lupe de lupe

sarita bruta





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listas,

2 motivos pra você viver fazendo as escolhas erradas


dois motivos pra você viver fazendo as escolhas erradas: falta de autoconhecimento e falta de autoestima.

são dois conceitos diferentes mas que se entrelaçam de forma muito bonita no nosso psicológico. vivemos no meio de milhões de pessoas totalmente acessíveis à gente, já que agora temos a internet para isso. imagine todo esse povo pensando e soltando o verbo? é muita diversidade de informação.

limitando um pouco, digamos que temos um núcleo de pessoas com quem nos comunicamos: família, amigos, colegas e seres aleatórios de grupos de facebook. cada um deles tem uma filosofia e uma atitude diante da vida e, quando se expressarem, refletirão exatamente esse interior personalíssimo.

e você, estando em companhia dessas pessoas, irá absorver todas as informações que elas proferirem. mesmo que você seja do tipo distraído, em algum momento vai entrar na sua cabeça.

quando você se conhece, você ouve as opiniões e apenas sabe o que serve pra você ou não. e quando você tem autoestima, você pega essa opinião que não serviu pra você e ignora porque ela simplesmente é incompatível contigo.

isso tem tudo a ver com as escolhas que você anda fazendo. já observou quantas dúvidas você fica matutando na cabeça até finalmente tomar uma decisão? e quantas preocupações em se encaixar perfeitamente naquele papel de indivíduo que, por algum motivo, você acha que tem que ser?

não se conhecer faz com que saiamos por aí seguindo caminhos reproduzidos, que pertencem a qualquer outra pessoa, menos você. aquela ideia que disseram de felicidade, de vida, de trabalho, de relacionamento... e a sua ideia? cadê? eu te garanto que se você um esforcinho e buscar lá no fundo,  você acha. pega ela e vai viver a sua vida, por favor.

essa atitude já dá um empurrão bem grande na sua autoestima que, às vezes, você nem entende direito se tem ou não tem essa merda. um dia você se acha um gostosão(sona) quase dominando o mundo, outro dia parece que só tá esperando o caminhão de lixo vir te buscar. sinto te informar, mas essa oscilação não é uma boa autoestima, te garanto.

na verdade, hoje em dia é bem difícil ter uma excelente autoestima com tantas vidas perfeitas jogadas nas nossas pupilas. mesmo que você não use rede social, o marketing abusivo dos sites vai te penetrar. mas não é impossível melhorar esse índice, tá? depois de ir conquistando o autoconhecimento, você começa a ter mais segurança de si e não se impregna de maneira tão invasiva quanto aos padrões vindos de todo lugar.

entender que as pessoas são diferentes e únicas parece uma colocação tão simples mas é o suficiente pra gente parar de buscar uma vida que não é nossa.

sarita bruta





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desabafos,

ser mãe


eu não sou mãe. e esse não é um relato sobre trocar fraldas e passar noites em claro.

muitas pessoas acham que quem não é mãe, não pode opinar sobre ser uma. mas eu tenho uma mãe, conheço várias mães e, só por ser mulher, já pensei muito sobre ser mãe. e, tendo em vista que não se trata de nenhum projeto de lei, me sinto totalmente validada para opinar.

esse assunto tem aparecido pra mim nessas últimas semanas e tenho pensado sobre o quanto ser mãe é hipervalorizado. é quase uma coisa santificada, um assunto que ninguém mexe, só se for pra glorificar de pé junto esse ser divino.

não que não seja maravilhoso ser mãe, eu acho um processo lindo. e comparando à classe de pais do nosso país, as mães dão de 10 a 0 brincando. então sim, é louvável, ainda bem que elas existem. mas eu não acho legal como colocam a mãe  como um ser supremo, até porque à um ser supremo são impostas responsabilidades utópicas.

as obrigações já começam antes mesmo de você ser mãe. primeiro que você tem que querer ser mãe, se não quiser é estranho, é porque não gosta de gente. e se você quiser, tem que ser logo, a biologia não espera, querida. e se você já tiver o macho pra isso, garanta logo sua vaga na fila dos zigotos.

e aí, digamos que você resolva ser mãe. a maioria nem sabe porque decidiu isso, tem filho só pra cumprir etapa da vida. e, às vezes, você nem resolve e de repente é, já que o aborto não é legalizado no brasil. então você passa por aquela etapa inteiramente dedicada a criança, pois ela depende totalmente de você.

mas e depois? ah...esse depois é o que mais me irrita. temos um ser em formação, que ainda depende de você, e merece todo amor e cuidado, com certeza. mas e você, mãe? morreu? não. ainda existe ali uma mulher, com vontades, objetivos, desejos, emoções e problemas pessoais.

o que eu vejo é muita mãe sem vida própria, existindo em função dos filhos. e quando uma mãe tem vida social e o único assunto dela não é sobre os filhos, ela é julgada negativamente.

e por isso muitas mães vivem amarguradas, são estressadas, fazem mil cobranças surreais e a gente ouve por aí que isso é coisa de mãe. não, isso não é coisa de mãe. isso é coisa de gente que assumiu o papel de mãe como se fosse a única coisa na vida. porque ensinaram a ela que isso era gratificante, que isso lhe completava, que isso lhe bastava. mas deixa eu te contar, não basta!

ser mãe não basta, ser mãe não resolve a vida, ser mãe não te faz uma pessoa melhor, ser mãe não é a sua missão na terra, ser mãe não é obrigatório. e o principal: é possível ser feliz sem ser mãe, olha que coisa!

então parem de dizer "sou mãe" como se isso fosse uma grande coisa. pode até ser grande, mas não o suficiente pra ocupar toda a sua vida. até pra ser uma boa mãe, você precisa se lembrar dos momentos em que você não é mãe.

sarita bruta





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