desabafos,

ser mãe

domingo, julho 01, 2018 Brutamor 0 Comments


eu não sou mãe. e esse não é um relato sobre trocar fraldas e passar noites em claro.

muitas pessoas acham que quem não é mãe, não pode opinar sobre ser uma. mas eu tenho uma mãe, conheço várias mães e, só por ser mulher, já pensei muito sobre ser mãe. e, tendo em vista que não se trata de nenhum projeto de lei, me sinto totalmente validada para opinar.

esse assunto tem aparecido pra mim nessas últimas semanas e tenho pensado sobre o quanto ser mãe é hipervalorizado. é quase uma coisa santificada, um assunto que ninguém mexe, só se for pra glorificar de pé junto esse ser divino.

não que não seja maravilhoso ser mãe, eu acho um processo lindo. e comparando à classe de pais do nosso país, as mães dão de 10 a 0 brincando. então sim, é louvável, ainda bem que elas existem. mas eu não acho legal como colocam a mãe  como um ser supremo, até porque à um ser supremo são impostas responsabilidades utópicas.

as obrigações já começam antes mesmo de você ser mãe. primeiro que você tem que querer ser mãe, se não quiser é estranho, é porque não gosta de gente. e se você quiser, tem que ser logo, a biologia não espera, querida. e se você já tiver o macho pra isso, garanta logo sua vaga na fila dos zigotos.

e aí, digamos que você resolva ser mãe. a maioria nem sabe porque decidiu isso, tem filho só pra cumprir etapa da vida. e, às vezes, você nem resolve e de repente é, já que o aborto não é legalizado no brasil. então você passa por aquela etapa inteiramente dedicada a criança, pois ela depende totalmente de você.

mas e depois? ah...esse depois é o que mais me irrita. temos um ser em formação, que ainda depende de você, e merece todo amor e cuidado, com certeza. mas e você, mãe? morreu? não. ainda existe ali uma mulher, com vontades, objetivos, desejos, emoções e problemas pessoais.

o que eu vejo é muita mãe sem vida própria, existindo em função dos filhos. e quando uma mãe tem vida social e o único assunto dela não é sobre os filhos, ela é julgada negativamente.

e por isso muitas mães vivem amarguradas, são estressadas, fazem mil cobranças surreais e a gente ouve por aí que isso é coisa de mãe. não, isso não é coisa de mãe. isso é coisa de gente que assumiu o papel de mãe como se fosse a única coisa na vida. porque ensinaram a ela que isso era gratificante, que isso lhe completava, que isso lhe bastava. mas deixa eu te contar, não basta!

ser mãe não basta, ser mãe não resolve a vida, ser mãe não te faz uma pessoa melhor, ser mãe não é a sua missão na terra, ser mãe não é obrigatório. e o principal: é possível ser feliz sem ser mãe, olha que coisa!

então parem de dizer "sou mãe" como se isso fosse uma grande coisa. pode até ser grande, mas não o suficiente pra ocupar toda a sua vida. até pra ser uma boa mãe, você precisa se lembrar dos momentos em que você não é mãe.

sarita bruta





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