desabafos,

mulheres e crianças primeiro

quinta-feira, janeiro 25, 2018 sarita bruta 0 Comments



a fome que mata
mata menos que a bala que vara
e a faca que corta
corta menos que a palavra que exala

a gordura que sobra
mata menos que o remédio que sara
e o dedo que aponta
dói mais que o tapa na cara

a criança que chora
chora mais alto que a voz concentrada
e a lágrima vertida
escorrega na garganta embolada

a dor consentida
dói mais que a dor desejada
e a unha quebrada
não arranha como a língua afiada

a ideia mofada
é mais útil que a cabeça parada
e a caneta que falha
falha menos que a espada cravada

os olhos coloridos
não definem a alma do cara
e os olhos cerrados
veem mais que a luneta da tara

a vítima que grita
ignora o que o algoz lhe prepara
e o santo da prece
ignora o que a vítima declara

a hóstia do domingo
é mais salgada que o suor da batalha
onde o bafo da morte
fede mais que o corpo na vala

a vida que passa
é mais lenta que a vida que para
e o amor sem vontade
te humilha, te atormenta e te cala

e sempre calado reclama
dançando o silêncio em protesto
pedindo pros que estão à deriva
que rezem pelo fim ou pelo resto






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