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parece recalque, talvez seja


eu pensei que seria mais fácil ver você com outra. você sempre foi o possessivo da relação mas agora quem está possessa sou eu. como é que pode você fazer com ela tudo que eu queria que fizéssemos juntos enquanto você estava no sofá? minha alma grita quando vê o quanto você foi capaz de mudar seus gostos pra se adequar à ela enquanto tudo que eu gostava era reprimido no nosso namoro.

quando eu terminei com você eu te disse que quem queria terminar na verdade era você. mas a acomodação era tanta quem nem atitude pra isso você teve e eu quem tive que passar pela humilhação e pela culpa de fazer uma coisa que eu nem queria fazer. hoje eu percebo que apesar de todo drama, era isso que você queria e precisava. basta ver como sua vida andou depois que eu fui embora e como você anda feliz com o seu novo estilo de namoro.

eu ainda não entendi como fui capaz de gerar tanta monotonia. logo eu, tão despirocada. acho que eu era legal demais com você. tão legal que me tornei uma pessoa menos despirocada por você. eu acreditava no amor e eu achava que amar era isso, se transferir ao outro. achava tão lindo nós dois sermos um só. eu só não notava que eu era muito mais você do que você era eu.

mas você não se importava se eu me sentia de menos. tava confortável, né? eu implorava por mudança enquanto ouvia frases manjadas condicionadas por um relacionamento de colegial. enquanto eu perdia noites pensando numa resolução, você virava outras jogando videogame. deve ser porque manter o namoro é papel da mulher.

no dia do nosso término você reiterou que não podia fazer nada para melhorar pois estava focando na sua carreira (de jogador virtual de futebol). foi apenas mais um atestado do quanto eu realmente estava abaixo nas prioridades da sua vida. eu pensava que eu era exigente demais, mas a verdade é que eu estava exigindo de menos.

parece recalque. talvez seja. é só que depois que passa um tempo, a gente desmistifica a pessoa amada e as lembranças já não são mais só boas. você começa a duvidar se viveu mesmo um amor de verdade. se era mesmo amor, por que ele não se esforçou? são questões que hoje martelam a minha mente e explicam um pouco porque é tão difícil se apaixonar de novo. o pior é que pra ele foi fácil, o que torna tudo mais complicado ainda.

sarita bruta







meu erro


meu erro é não dizer mais nãos
é escutar pessoas surtadas
aceitar comportamentos invasivos

meu erro é ter uma paciência que nem tenho
com gente que não vai pra lugar nenhum
a não ser pra o de abusar a minha mente

meu erro é evitar magoar o outro
quando eu mesma já estou me magoando
num limite que foi ultrapassado cedo demais

meu erro é escutar mais o mundo
do que me escutar
é deixar sentir pelos outros e me abandonar

mas jamais meu erro será 
não assumir meu erro
e deixar que o erro me torne o erro

sarita bruta





nós não odiamos vocês



alguns homens se acham tão o centro do universo que bostejam que o movimento feminista é para eles.

pois deixa eu te contar uma coisa, bb, a minha luta é por mim, pelas mulheres. por direitos, por respeito, por dignidade.

uma vez na vida entenda que nem sempre as coisas são sobre vocês.

eu entendo que vocês foram criados pra se acharem superiores e serem o centro das atenções mas do mesmo modo que pra gente é difícil se descontruir, se esforcem também pra fazer a parte de vocês.

o que não dá é pra continuar passando vergonha, dizendo que age por impulsos masculinos (como se fosse um animal sem controle) e falando que pedir pra ser respeitada é odiar os homens.

você dizer que tem outras pessoas morrendo no mundo não desmerece que mulheres estão morrendo por serem mulheres.

dizer que tem muito crime no mundo não diminui o fato que quase 50% dos estupros ocorrem em casa ou por pessoas próximas.

vocês que odeiam a gente, nós só queremos sobreviver.

sarita bruta





nem sempre é sobre você


sei que parece contraditório, mas muitas vezes a gente sofre por se achar especial demais. quando pensamos que o universo está contra nós e que todas as pessoas querem nos prejudicar, estamos nos colocando como centro do mundo e na realidade não é bem assim que acontece.

deus não está conspirando contra a gente, somos um ponto microscópico no universo e as pessoas estão mais preocupadas com elas mesmas e não conosco. quando você tem a humildade de perceber sua pequeneza no mundo, você entende que nem sempre as coisas são sobre você.

e ser pequeno não é ser inferior, nem significa que você não importa no mundo. a questão é que a gente tem que olhar além da nossa bolha. se a gente percebe o quanto de coisa que tá acontecendo no mundo e na dimensão desse universo, não tem como achar que as coisas giram ao nosso redor, porque definitivamente não giram.

fulaninho e cicraninho estão agindo de acordo com as vontades deles e não bolando um plano pra acabar com a sua vida. ninguém tá se esforçando pra te fazer mal. mas se faz, cabe a você tomar uma atitude sobre isso.

o que você deve entender é que por mais que você seja importante, a única pessoa que pode te dar exclusividade é você mesma. ninguém vai ocupar esse papel por você, nem pro bem, nem pro mal. então se olhe no espelho e reflita sobre suas atitudes antes de dizer que alguma força do mal te persegue.

as coisas podem até ser sobre você, mas de você contra você mesmo.

sarita bruta





deixe ela livre



passamos a vida toda com homens cagando regras sobre o que deveríamos fazer. a gente tá fazendo um movimento pra ser livre e não pra passar a seguir novas regras impostas por novas pessoas.

entendam que estamos num processo de desconstrução e aprendendo a fazer nossas próprias escolhas. não podemos de repente nos tornar a super mulher feminista que não faz nada que possa estar atrelado ao machismo.

até porque tudo que queremos é não ter padrão!!!!! ou seja, não podemos definir um modelo de mulher feminista a se seguir. tudo que podemos é mostrar às mulheres o que elas não são obrigadas a fazer. e se elas quiserem continuar fazendo, que façam. cada um sabe os motivos que tem pra agir de determinada forma. quem somos nós pra julgar?

é contraditório que, logo nós, sempre tão julgadas, fiquemos julgando as outras. que, logo nós, que somos tão exigidas a se moldar, queramos moldar as outras. isso não tem nada a ver com feminismo.

cada uma tem seu tempo e seu direito de ser quem quiser. forçação de barra não leva o movimento a lugar nenhum. conhecimento e informação leva. demonstrar a história e o processo da nossa cultura leva. ter empatia e compreensão leva. ter amor e união uma com as outras leva.

imposição não leva. imposição é o contrário do que estamos buscando. queira ser livre, explique sobre ser livre e deixe ela livre.

sarita bruta





te destruí porque estava destruída


não sei por quanto tempo fui capaz de fingir que eu estava bem. atuava pra ver se funcionava. me mascarava até que um dia me tomasse a alma.
mas não adiantava. no final do dia ainda era eu. euzinha da silva. cheia de vontades e sonhos reprimidos. cheia de mágoas e culpas mal curadas.
eu precisava descansar.
precisava buscar ajuda.
mas em vez disso escolhia preencher meu ego com superficialidades e me nutrir de amores efêmeros. eu estava desesperada pelo amor nos outros porque eu não o encontrava dentro de mim.
por isso não importava quanto amor me dessem, nunca era suficiente. nunca era o amor completo. porque a parte que me faltava jamais encontraria externamente.
precisava me resolver.
mas enrolei e enrolei, fui covarde, arrogante. eu me achava superior a tudo isso. tinha a falsa ilusão que já tinha nascido pronta.
e fiz merda.
te mostrei uma versão que nem de perto sou eu. coloquei toda a minha pressão em você. eu precisava culpar alguém, eu precisava que sentissem essa dor comigo.
eu sempre dava um jeito de nos sabotar. no fundo eu desejava que você realmente não gostasse de mim pra que eu desse um significado a todo esse meu sofrimento.
eu te deixei maluco. te desrespeitei, te humilhei, te desvalorizei.
te destruí.
nos destruí.
e fui obrigada a me cuidar.
deu certo pra mim.
e espero que esteja dando certo pra você.

sarita bruta





uma piada, uma morte


uma piada
uma pergunta
um ciúme
uma exigência
uma ordem
um grito
uma humilhação
uma ofensa
uma insistência
um constrangimento
um estupro
um tapa
um murro
uma surra
uma desculpa
uma morte

isso não é amor
saiba se retirar depois da piada

sarita bruta






até que ponto se ajustar?


não estamos sozinhos nesse mundo. temos que conviver com outras pessoas, outros seres vivos e inanimados. diante disso, temos que fazer concessões. temos que nos ajustar. temos que cumprir regras. e nem sempre é legal.

mas assim como há obrigações, também existem limites e nem sempre a gente sabe exatamente onde estão eles.

até que ponto se ajustar?

qual a medida certa de abrir mão, de sofrer, de se doar?

o quanto a gente tem que se queimar pra perceber que tá pegando fogo?

eu queria ter a resposta pra essas perguntas. mas eu sei que no fundo você sabe o que não tá indo bem. e eu espero que você tenha coragem. coragem pra sair dessa situação que tem ido longe demais. coragem pra parar de se anular. dá tempo. sempre dá.

o que não dá é continuar como tá.

sarita bruta